"Já tem um tempo. Eu chegava, você saia... "
Já tem um tempo.
Eu chegava, você saía.
Eu da casa de um alguém, você para o trabalho. Nunca tivemos ideais parecidos mesmo.
Mas não pense que esse era meu projeto, assim como eu duvido que essa sua vidinha pacata e pseudo-cult seja a perfeição de seus planos. Eu sei que você não deseja ser amarga como sempre foi, mas acostumou-se com o estereótipo de escritora desiludida. Desiluda-se. Não é quem você é e você sabe disso. Não força mais o negativo, porque isso já cansou. Não tenta alcançar a perfeição porque você já não está perto dela há muito tempo.
Subimos e descemos por um bom tempo. Talvez não tão bom assim, mas pelo que sufocamos um do outro, dias se passaram. Subíamos e descíamos algumas vezes por mês. Hoje tenho medo de ir lá sozinho. Por isso deixei de ir naquele dia... será que a moça ficou me esperando? Ah, mas eu não queria voltar lá mesmo.
Não sei porque tenho lembrado de você. Faz tanto tempo... e lembrei. Só. Resolvi ver o que encontrava sobre você. Nada me surpreendeu.
A verdade. Eu me assustei. Assim como vemos em comédias-românticas e sitcoms, quando a moça diz que ama o rapaz precocemente. Eu acho que mais uma vez foi isso o que aconteceu.
Ah, mas quem liga? Éramos apenas crianças querendo sobreviver num mundo que nos enxotava. Entre gritos e sussurros fomos nos moldando, secando, vivendo. O que somos agora?
Não fique assim, minha querida. Nem tudo foi tão cinza assim. Nós éramos crianças, lembre-se sempre. Ninguém saí ileso da adolescência. Teoricamente, eu saio da maldita hoje. Será? Será que meia hora é necessária para expulsar os meus fantasmas de vários anos?
Espero que sim. Vamos fingir que sim. E, se eu pudesse, levaria os seus fantasmas junto. Levo só os nossos, como forma de agradecimento. Agradeço de verdade. Não vou dizer que não te amo, de certa forma. Te amei. Sim, é verdade. Só não quero nenhum tipo de contato agora, nem por muito tempo.
Me despeço dos vinte e dois anos e de você. De todos eles, de todas elas também. Lembra do inferno que era aquele lugar? Saímos, querida! Saímos ilesos... ou quase isso. Mas estamos vivos. Não nos matamos, como pensávamos que ia fazer, nem chegamos a realmente a fugir de casa... ir até a rodoviária, não vale. Me despeço e espero que minha imagem de você lá alguns anos atrás, seja apenas uma imagem de alguém que tinha demônios maiores que si mesmo. Espero que hoje, você consiga domá-los melhor. Espero que você fique bem.
Damos as mãos agora. Uma mudança sutil para os outros; enorme para nós. Somos um só ser. Que cada um ache o seu próprio precipício e que mais números venham pela frente.
Amo-te.
Adeus, querida.


2 Comments:
Dieguito,
claro que não tem problema, né?
Se quiser conversar, vc sabe onde me achar. Te adoro!
Nos vemos dia 12.
Bjos
Your website has a useful information for beginners like me.
»
Postar um comentário
<< Home